Como escolher um(a) Psicóloga(o)?


O que é importante levar em conta no momento de escolher um(a) profissional da Psicologia?


Vou te propor alguns questionamentos sobre o que deve ser observado quando você está procurando um(a) psicoterapeuta pra chamar de sua/seu.


1) A(O) profissional está inscrita(o) no Conselho Regional de Psicologia (CRP)?


Se você está buscando um(a) profissional da área da Psicologia que esteja apta(o) a exercer essa atividade profissional, ela(e) deverá estar inscrita(o) no Conselho Regional de Psicologia do seu local de atuação. Isso garante que ela(e) realmente tem a formação que alega, que tem permissão para atuar e que se acontecer algum problema ético grave durante seu processo você terá um órgão ao qual recorrer e fazer uma denúncia. Para confirmar a inscrição no órgão regulador, basta ter em mãos o número do CRP do psicólogo, entrar no site do Conselho específico (cada região geográfica do Brasil possui o seu) e inserí-lo no "Consulta Profissional". Em São Paulo, por exemplo, você pode fazer este procedimento através deste link.


2) As práticas que a(o) profissional divulga (e aplica) são apropriadas à área da Psicologia? São técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional?


O Conselho Federal de Psicologia regulamenta quais práticas podem ser exercidas pela(o)s profissionais da área para garantir que aqueles que busquem os serviços oferecidos tenham acesso a técnicas cientificamente comprovadas. É vetado aos profissionais prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão e também não pode propor atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais. Consulte o Código de Ética ou entre em contato com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) caso você tenha dúvidas sobre as práticas adotadas por algum(a) psicóloga(o).


3) A(O) profissional se mantém cuidando de sua formação/atualização?


É importante levar em conta o quanto a(o) psicóloga(o) investiu na sua formação e procura se atualizar dentro do seu campo de atuação. Psicologia é uma área de formação continuada. É relevante que ela(e) não tenha se resumido à graduação em Psicologia. Ter outros cursos livres, de aprimoramento ou especialização são bons diferenciais. Mas não basta um curriculum extenso ou os números em redes sociais. Isso não garante e experiência prática e nos leva ao questionamento seguinte:


4) Ela(e) foi indicada(o) por alguém da sua confiança ou você pôde testemunhar o resultado positivo do trabalho por ela(e) realizado?


Uma indicação de alguém que já passou por atendimento com um determinado profissional ou conhece o trabalho dela(e) faz toda diferença. A pessoa pode confirmar os benefícios que obteve e compartilhar sobre sua experiência e sobre o estilo da(o) psicóloga(o) que a atendeu. Uma outra dica é você ficar atenta(o) às pessoas que estão (ou estiveram) em processo de psicoterapia e nas quais você percebeu uma mudança para melhor. Se houver espaço e intimidade suficientes, verifique se a pessoa se sente à vontade para passar o contato da(o) profissional que a atende ou se a(o) psicoterapeuta dela possui indicações de outros colegas para lhe fornecer.


5) Você se identifica com o que aquela(e) profissional diz/escreve?


Hoje em dia muita(o)s psicóloga(o)s compartilham informações em seus perfis profissionais na internet: seja em sites ou redes sociais. Identificar-se com o estilo de escrita e fala, com o conteúdo, com a forma como ela(e) se apresenta já é um bom indicativo de que você pode se abrir mais facilmente para o trabalho que ela(e) realiza. E ter uma relação de entrega e confiança com a(o) profissional que te atende é fundamental para o bom andamento de um processo psicoterapêutico.


6) Houve escuta e acolhimento na primeira entrevista realizada com a(o) profissional? Você se sentiu mais confiante para iniciar o processo?


Esse é um dos pontos mais importantes. De nada adianta a(o) profissional ter um curriculum impecável, ter sido indicado pelo seu melhor amigo e ter centenas de seguidores nas redes sociais se, na primeira entrevista, você não se sentir acolhida(o) e ouvida(o) por ela(e). É imprescindível que você possa confiar na(o) psicóloga(o) que lhe atende e que exista uma boa relação entre vocês para que o trabalho se desenvolva de maneira efetiva. Não tenha receio de procurar outra(o) profissional se um clima de confiança e empatia não se estabelecer entre vocês.


7) O modo como o psicólogo conduz o atendimento e as técnicas que ele utiliza são confortáveis pra você?


Muito se questiona sobre a abordagem ou "linha" que os profissionais da Psicologia utilizam. A abordagem é mais importante para a(o) profissional que se fundamenta nela para nortear seu trabalho do que para a(o) paciente. Pois o que é de verdade relevante é você se sentir confortável com o modo como a(o) psicóloga(o) conduz as sessões e a relação de confiança e transparência que você estabelece com ela(e). Quando o processo "flui" e você se sente respeitada(o), vista(o), compreendida(o), está aumentando a consciência acerca de si mesma(o) e entendendo melhor as questões que inicialmente lhe levaram a procurar atendimento é porque as coisas estão caminhando bem.


8) A(O) psicóloga(o) respeita suas crenças, seus posicionamentos políticos, sua orientação sexual? Já fez algum comentário ofensivo em relação ao seu corpo ou aparência?


É vedado ao profissional induzir seu paciente a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando no exercício de suas funções profissionais. Pedir para ouvir, buscar entender melhor como você pensa e funciona, interessar-se por suas escolhas e posicionamentos é muito importante. O que não pode acontecer de forma alguma são ideias como "cura gay", "isso é falta de Deus na sua vida" ou "você resolverá este problema no seu casamento se fizer uma plástica". Existem limites éticos. O que a(o) psicóloga(o) tem como valores pessoais dela(e) não deve fazer parte do processo. Julgar não é atribuição de psicóloga(o).


9) Ela(e) trabalha bem em parceria com outros profissionais?


Um(a) psicóloga(o) deve saber o momento de encaminhar um cliente ao psiquiatra e precisa estar disponível para interagir com a escola no caso de atendimentos a crianças, por exemplo. É importante que trabalhe bem quando um caso é multidisciplinar ou exige interações mais constante entre os profissionais que acompanham seus pacientes. Um(a) profissional que se isola em seu saber ou possui limitações para trabalhar em colaboração ou processar diferentes opiniões pode não contribuir para o progresso da(o) paciente.


10) A localização do consultório do psicólogo, a acessibilidade e as instalações lhe fazem ficar à vontade?


Uma vez que você irá frequentar o espaço ao menos uma vez por semana é indicado que você se sinta confortável e consiga chegar nos dias e horários combinados. Ser assídua(o) às sessões faz toda a diferença para que os benefícios da psicoterapia possam ser percebidos e o processo aconteça da melhor maneira possível. Não adianta escolher um(a) psicóloga(o) cuja localização seja um constante desafio, pois existe a chance de que os encontros semanais sejam sabotados pelo trânsito ou pelo cansaço e, eventualmente, você acabe interrompendo o tratamento. Outro fator a ser levado em conta é a questão da privacidade: o local de atendimento deve ser reservado o suficiente para que as sessões alheias (e as suas) não sejam ouvidas pelas paredes e janelas ou constantemente interrompidas por outras pessoas ou profissionais do local.


Prestando atenção a essas dicas você já estará mais preparada(o) para fazer uma escolha que venha a dar as melhores chances de ter uma boa caminhada no seu processo de psicoterapia.